O cemitério situa-se no baluarte de S. João de Corujeira, ao alto na muralha Leste e num plano inferior perto do Castelo dominando a paisagem com uma vista magnífica até Badajoz. O nome do baluarte vem da ermida do mesmo nome inscrita nas muralhas. A ermida foi fundada em 1228 pelos frades da Ordem dos Hospitalários, quase inteiramente demolida por um tremor de terra, foi reedificada nos séculos XVIII e XIX.

O cemitério contém cinco sepulturas:
O Major General Daniel Hoghton, que foi morto à cabeça da sua brigada na Batalha de Albuera, no dia 16 de Maio de 1811. O General Hoghton  tinha 41 anos de idade e era o filho mais novo do outrora Membro de Parlamento para a cidade de Preston, Sir Henry Hoghton (Baronet) originário de Hoghton Tower. Começara a sua carreira como alferes no 8.º Regimento de Infantaria, nesta altura comandava uma Brigada na 2.ª Divisão do General Stewart. No início da batalha, esta divisão estava em reserva mas, foi logo desviada para o Sul para revezar a Divisão de Infantaria espanhola do General Zaya, que contivera o ataque francês com grande galanteria. Durante o resto do dia, a Brigada de Hoghton estava no centro da batalha, aguentando a sua posição com terrível custo. As baixas foram estimadas em 63% da brigada e no fim do dia o oficial superior da brigada era um capitão. Num regimento, o alferes que carregava a bandeira rasgou-a do estandarte e escondeu-a no seu casaco para evitar ser capturado. O seu corpo foi descoberto no fim da batalha pelos dois únicos sobreviventes de sua companhia - um sargento e um cabo - que o enterraram.

O Capitão Ramsden, ajudante do General Hoghton deixou uma descrição da sua morte. Foi na primeira parte da batalha e onde a luta foi a mais feroz que presenciou, o capitão viu o general e o seu cavalo a cair. Quando finalmente chegou perto do General Hoghton verificou que tinha sido ferido por baixo dos dois braços e, quando tentou montar de novo o cavalo, já não foi capaz e tendo sido levado para a retaguarda. Aí se constatou que havia sido gravemente ferido e o cirurgião explicou a Ramsden que já não havia esperança de o salvar, tendo Hoghton morrido pouco depois. Depois constatou-se que o seu casaco tinha mais que uma dúzia de buracos de bala.

Os Generais Beresford e Stewart, fundamentando-se no Tratado  Anglo-Luso de 1654,
solicitaram ao Governador de Elvas para enterrar o General Hoghton naquele
local.

O Tenente-Coronel Daniel White comandava o 29.º Regimento (The Worcestershire Regiment) da brigada do General Hoghton na batalha de Albuera. Faleceu em Elvas no dia 8 de Junho de 1811 de ferimentos recebidos naquela batalha. A sua lápide só foi colocada em 2003 após a descoberta do seu óbituário no Gentleman’s Magazine.

O Tenente-Coronel James Ward Oliver era um Capitão no 4.º Regimento de Infantaria (agora chamado The King’s Own Royal Border Regiment) até 1809, quando foi promovido a Major no Estado-Maior do Exercito e em seguida a Tenente-Coronel, comandante do 14.º Regimento de Infantaria Portuguesa. Comandou este batalhão na batalha de Albuera, bem como o segundo assédio de Badajoz onde recebeu ferimentos dos quais veio a falecer em Elvas em 17 de Junho de 1811. Teve uma carreira longa e activa, servindo na América, nos Países Baixos, em Hanôver, em Copenhaga, na Corunha, na Suécia e em Portugal. Foi capturado pelos franceses quando regressava da América mas escapou da prisão em Orleães.

O Major William Nicholas Bull faleceu em Monforte em 14 de Fevereiro 1850 com 50 anos de idade. Na altura da batalha de Albuera era um rapaz de dez anos. Ele serviu nos 20.º e 21.º batalhões do 2.º Regimento da Brigada Real da Marinha. Temos uma cópia duma carta dele de Maio de 1833 arrependendo-se de sua demissão recente e pedindo readmissão no seu grau original de Tenente.

Caroline Bull que morreu em 28 de Junho de 1863 era, presumivelmente, a esposa de Major William Bull.A área das sepulturas é circundada por uma elegante grade de ferro que ali foi colocada em 20 de Agosto de 1904, pelo Governador da Praça de Elvas (G.P.E.), o General da Brigada (posteriormente, de Divisão) João Carlos Rodrigues da Costa. Uma pequena lápide gravada com a inscrição “G.P.E. 20-8-1904” regista este acto.

Durante muitos anos o cemitério situava-se dentro da zona militar e o acesso era extremamente difícil. Agora já não é o caso e a pequena comunidade inglesa tomou conta da manutenção do cemitério

Badajoz e Albuera
Durante a história de Portugal, Elvas tem sido o ponto fulcral da defesa terrestre do Sul. Em 1811, Elvas era o portão sul, oposto a Badajoz. A Norte, Almeida e Ciudad Rodrigo desempenhavam o mesmo papel. O General Wellington desejava dar segurança às duas antes de avançar para Espanha. Escolheu ser ele mesmo a conduzir as operações no Norte, deixando o Marechal Beresford como Chefe do Estado-Maior do Exército português com o encargo das operações no Sul. O cerco inicial de Badajoz foi interrompido pelo avanço do Marechal Soult. Os dois exércitos encontraram-se em Albuera onde as forças francesas foram derrotadas numa das acções mais sangrentas da Guerra Peninsular. Logo depois, durante a batalha de Badajoz, esta cidade foi sitiada pela segunda vez (quando o Tenente Coronel Oliver foi ferido), tendo Badajoz só sido tomada em Abril de 1812, numa acção igualmente custosa.

Lápides Memoriais
Em 14 de Maio de 2000, o embaixador britânico, Sir John Holmes e o chefe do Estado-Maior do Exército, o General Martins Barrento, inauguraram lápides comemorativas dos regimentos britânicos e portugueses que lutaram nestas batalhas. A colocação das placas, a remodelação do cemitério e a cerimónia foram obra do exército português. A manutenção do mesmo permanece nas mãos dos “Amigos do Cemitério dos Ingleses”.

Em 14 de Maio de 2004, o General Fulgencio Coll Bucher, Comandante da Brigada Mecanizada XI - Extremadura, descerrou uma lápide em honra dos regimentos espanhóis que lutaram em Albuera, na presença da Embaixadora Britânica, Dame Glynne Evans.











O Cemitério dos Ingleses